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11:20 PM
COMUNICADO IMPORTANTE:
Devido a problemas pessoais, infelizmente não darei continuidade ao "Projeto King Size". O livro está finalizado, mas não pretendo publicá-lo ou lançá-lo no momento. Qualquer dúvida pode ser esclarecida através do email de contato ao lado.
Queria deixar aqui o meu agradecimento por essas centenas de visitas em pouco tempo. Agradecer também a todas as pessoas que apoiaram o projeto e deram idéias para a continuidade do trabalho.
Para finalizar, queria agradecer especialmente todos os meus amigos que autorizaram o uso dos seus nomes nos meus personagens.
Guilherme Henrique
Capítulo por Guilherme
11:22 PM
CAPITULO 9
-Gustavo!
-Oi Gui! Tudo bem?
-Claro, melhor agora!!! Eu achava que você não ia vir.
-Imagina.
-Bom, vamos lá então?
-Vamos.
-A pé ou de busão?
-Não sei, o que é melhor?
-Ah, o ônibus tá vindo, vamos de busão então.
O Gustavo, pela primeira vez, estava mostrando sinais de que estava interessado em mim. E eu, no momento, só queria alguém para esfregar na cara do Dean que qualquer um poderia me fazer feliz, menos ele. Mas não queria usar o Gustavo. Ele realmente era especial, diferente.
-Bom, é aqui... Chegamos!
-Nossa, que casão...
-É, e tá vazia, vazia... Só pra gente...
-Hmmm...
-Gustavo, eu queria e pedir uma coisa.
-O que?
-Me dá um beijo?
Foi a primeira vez que pedi um beijo para alguém. Nunca tinha pedido antes. Comigo sempre foi no "chegou, levou", mas com o Gustavo eu não sei. Pedi, e ele deu. Um beijo conra a parede da sala de janar da minha cama. Toda ez que passo por ali, me lembro desse beijo.
Não rolou sacanagem com ele em casa, apesar da situação toda favorecer o contrário. A gente ficou só nos beijinhos, mostrei um pouco da minha casa pra ele, das minhas coisas. Queria que ele me conhecesse melhor. Evitei de tocar no assunto "Ex-Relacionamentos", para não assustá-lo. A gente se curtiu bastante, mas infelizmente estava escurecendo e ele teve que ir embora. Quando eu o deixei no ponto de ônibus estava crente de que estava acontecendo de novo. E novamente, estava acontecendo muito rápido.
Na terça teve um replay. Gustavo apareceu à tarde em casa, ficamos no quarto, falei sobre a cirurgia que eu ia passar, falei um pouco sobre minha família, sobre meu trabalho. Mas e ele? Ele pouco falava. Via nos seus olhos que ele não queria conversar. Ele queria ação! Mas eu estava sem clima para agir de qualquer forma. Ainda bem que meus pais chegaram de viagem, e pude me afastar um pouco dele.
-Gustavo... Eu quero te falar uma coisa...
-Fala...
-Não sei se eu devo...
-Ah não... Começou, tem que terminar...
-Acho muito cedo pra falar isso...
-Falar o quê?
-Nada não... Esquece..
-Fala!
-Não.. Deixa pra lá... Depois eu falo...
-Você está gostando de mim, é isso?
-...
-É isso?
-É.
-Não precisa ficar com vergonha...
E assim fiquei mudo duranto todo o trajeto, até descer no ponto de ônibus próximo ao local onde trabalho. Depois, fiquei o dia todo pensando se eu tinha feito a coisa certa ou se eu estava cometendo o mesmo erro que tinha feito antes.
Capítulo por Guilherme
11:19 PM
CAPÍTULO 8
-E aí, Gui? Tá bem?
-Tô sim...
-Viu, você é tão lindo pra ficar se metendo com homem por aí, Gui! Você precisa gostar de mulher, isso sim...
-Ah Fabi... O fato de eu ser gay não me impede de me sentir atraído por uma mulher.
-Então se uma mulher der mole pra você...
-Caiu na minha rede é peixe.
-Bom saber disso...
-Por que?
-Porque um dia eu posso me jogar na sua rede.
-Ah tá. Você, Fabiana?
-É. Eu sim. Por que, vai negar?
-Não, mas você é comprometida.
-Ele não precisa saber. O que os olhos não vêem, o coração não sente.
Fabiana. Que ironia, não? Já não basta ter um Fabiano na minha vida, agora arrumo uma versão feminina da coisa. Baixinha, morena, olhos penetrantes. Do jeito que eu sempre sonhei em ter uma mulher pra mim. Isso é, antes de eu descobrir a minha verdadeira realidade. Fabiana. Ah Fabiana... Fabiana, Fabiana, Fabiana... Usando a mesma frase que o Fabiano usou. Coincidência? Talvez...
Sei lá, eu sempre achei que se eu não desse corda, nada iria acontecer. Não é bem assim não. Parece que todas as pessoas tem um lado mazoquista dentro deles, que quanto mais a gente pisa, mais elas gostam. Quanto mais a gente faz as pessoas sofrerem, mais elas rastejam atrás da gente. É estranho, mas é a realidade. E eu já testei essa teoria com o Dean, e a coisa é bem assim mesmo.
Negar que eu tenho interesse pela Fabiana é estar tentando remar contra a maré. O problema com ela é que ela está noiva (apesar do relacionamento dela com o noivo não estar indo muito bem). Não posso negar que eu tenho vontade de beijá-la, de abraçá-la. Mas ao mesmo tempo sinto que estou indo contra os meus princípios. Não sou capaz de compactuar com uma traíção. Sou capaz de traír, mas não sou capaz de carregar o peso de ser "o outro" da história. Fica parecendo que a culpa foi minha, quando na verdade não é. Numa relação a dois, ambos são culpados e ambos são inocentes. Não há como um sair diferente do outro.
-Fabi...
-Fale Gui.
-É sério mesmo essa história?
-Que história?
-Ah, essa de que você quer ficar comigo?
-Ah Gui, sei lá... Você quer?
-Querer eu quero, mas se depender de mim, não vai rolar.
-Por que?
-Eu quero atitude sua. Você vai ter que tomar a iniciativa.
-E desde quando mulher toma iniciativa pra essas coisas? Quem toma iniciativa é o homem...
-E desde quando eu sou homem pra você?
-Ué? E essa história de que "se caiu na rede é peixe"
-Minha rede á esticada, só falta você se jogar nela.
-Se depender de mim então, você nunca vai provar dos meus beijos.
Pois é. E não veio mesmo.
Odeio isso. Só falta você se jogar nos braços da pessoa, e ela não faz nada. Quer mais vaca que eu, que deixei a porta aberta pra ela entrar, e ela fica com cerimônia, limpando os pés no tapete? O que é agora, orgulho feminino? Não. Definitivamente não dá. Só uma mulher mesmo para entender a outra. E é por essas e outras que existem mais lésbicas do que eu imaginava... E é por essas e outras também que eu gosto de homem...
Capítulo por Guilherme
1:14 AM
CAPITULO 7
-Alô?
-Alô, Gui?
-É ele, quem quer falar?
-Oi Gui! É o Maicon!
-Oi May! Tudo bem com você, gatão?
-Tudo, Gui! E aí, como andam as coisas?
-Ah, vamos indo, né? E você?
-Também. Viu, vai fazer o quê amanhã?
-Eu? Bom, eu vou trabalhar das nove até as cinco, depois nada, por que?
-Ah, eu tô afim de te ver, pode ser?
-Claro! Que horas?
-Ah, umas seis da tarde tá bom pra você?
-É, só que eu saio as cinco do trampo, não sei se vai dar tempo de chegar em casa até as seis.
-Tá, seis e meia então.
-Isso, aí pelo menos já dá pra chegar em casa.
Cheguei tão mal em casa no domingo que a única coisa que eu lembrei foi que eu tinha que estar em meia hora no meu serviço, caso contrário, eu seria despedido. Trabalhei o domingo todo com uma cara de sono. A única coisa que eu pedia era uma cama. Mas nem tudo foi ruim: só de ver que o Dean tinha me visto chegar as seis e meia da manhã na rodoviária, ainda mais na companhia do Alessandro, já me deixava com um gostinho de satisfação na boca. Eu fico muito feliz em saber que ele ainda sente alguma coisa por mim, assim eu posso pisar um pouco mais nele. Não que eu goste de pisar nele, mas esse lado meio sádico que vive em mim precisa de um alimento de vez em quando, e o Dean era a presa perfeita.
Na pausa para o almoço, chequei o meu celular e vi que havia uma chamada perdida. Na hora lembrei do telefonema do sábado. Puta que o pariu! O Maicon vai vir de Santo André até esse fim de mundo e eu não vou ter força nem de dar um beijo selinho nele!!!
Maicon. Ah, Maicon... Maicon, Maicon, Maicon... Delicia de homem, num corpo de garoto. Ele tem 26 anos, mas tem um corpo de 16. Todas as vezes que fui pra balada com ele, ele era barrado na porta e liberado só após a apresentação do RG. Adoro o sexo com ele, porque ele é lado A lado B na cama. E ele, com aquele pequeno tamanho dele, faz tanta coisa. Deixa o Fabiano no chinelo, viu. Tem uma mão, uma pegada, um jeito de fazer carinho que é só dele. Só de lembrar eu fico excitado aqui.
Ele estava a caminho de casa e eu sem forças pra nada! Antes tivesse ficado em casa e recusado o convite do Alessandro...
Ainda bem que ele furou. Sim, ele não veio, e nem ligar pra se justificar ele ligou. Ufa. Cheguei em casa correndo, tomei aquele banho, arrumei tudo, e quando o relógio marcou dezenove horas, eu falei: Ufa, ele não vem!
Se tem uma coisa que eu odeio é quando alguém marca uma coisa comigo e fura. Fico pela hora da morte! O desespero que eu fico é indescritível. Será que aconteceu algum acidente no meio do caminho? Será que ele morreu? Será que a mãe dele morreu? Odeio!!! Mas nesse caso foi diferente... Nem se ele inventasse a história mais mirabolante do século eu ia ficar bravo com ele.
Só para constar: Espero uma justificativa até hoje.
Capítulo por Guilherme
10:29 PM
CAPÍTULO 6
Putz, que ótimo. Pela primeira vez na minha vida eu estava indo para a Friends. E o melhor: Solteiro. Olhava para a mão do Alessandro e via aquela aliança prateada na sua mão direita, sinal vermelho para mim.
Tá, eu tava indo pra balada, vou me jogar horrores nos braços de todos lá, vou deixar a minha marca de vaca naquele lugar...
Não! Pra quê isso? Vamos lá, vamos conhecer o lugar primeiro! Vai que o ambiente não me agrade? Vai que ninguém lá me agrade? E o melhor de tudo foi que agradou. Amei o lugar, amei o ambiente, as pessoas. Mas foi na pista de dança que uma nova história começou a ser escrita.
-Gui!
-Fala Alê...
-Duvido que você tem a moral de chegar no Gustavo e dar um beijo nele.
Confesso que eu estava de olho no outro amigo do Alessandro, mas tudo bem, era alguém. Aliás, o alguém que ia se tornar o alguém mais importante para mim. Gustavo. Ah, Gustavo... Gustavo, Gustavo, Gustavo... Todo Gustavo marca, e esse aí marcou pra valer...
Baixinho, olhos castanhos claros, pele branquinha... Putz, daqueles que eu seria capaz de fazer um estrago. Mas não. Havia algo nele que me evitou de tomar uma atitude dessa. Ou algo em mim, eu não sei... Só sei que não levei ele para um lugar reservado, como costumo fazer. Fiquei com ele lá no meio de todo mundo mesmo, numa boa. Beijei ele e continuei a dançar... Saímos da pista, voltamos pra pista, saímos de novo, fomos pro terraço, voltamos pra pista... Só nessa hora, em que a gente voltou pra pista, eu beijei o outro amigo do Alessandro, que eu estava de olho antes. Vaca uma vez, vaca pro resto da vida.
Tudo bem, fim de balada. Todos nós num ponto de ônibus, com a cara mais acabada do planeta, ao lado de uma galera fervida e cozida, esperando o transporte de volta para casa. Aquele ônibus parecia o Bloco da Parada Gay, de tanto viado que tinha dentro dele, e em um dos bancos estava eu, de mãos dadas com o Gustavo, enquanto olhava o Alessandro dormir, um pouco mais a frente.
Essa coisa de desejo é foda. Desejo é a vontade de tornar a fantasia em algo real, palpável. Se não for controlado, pode levar alguém a loucura. Desejo não é amor. Desejo é carne, contato... Sexo misturado com prazer. Isso é desejo... Desejo não realizado faz sofrer muito, mas muito mesmo... Amor é diferente. Amor é se doar a alguém que sente desejo por você, sem pensar nas consequências. Amor é quando querer alguém dói demais. O amor faz a gente sofrer. Eu sinto desejo pelo Alessandro. Sinto amor pelo Fabiano. O que eu sinto pelo Gustavo? Não sei ainda, estou descobrindo se é desejo ou amor.
Chegamos, desembarcamos e cada um seguiu o seu caminho. Somente eu e o Alessandro ficamos no ponto de ônibus esperando. Nesses poucos minutos eu olhava para ele e pela primeira vez eu me senti bem por ter me controlado durante a noite e não ter tascado um beijo nele.
-Tchau Alê. Até mais
-Até!
Se eu pudesse voltar no tempo, tinha tascado um beijo nele ali mesmo... Perderia um amigo, ganharia o dia... Se bem que o dia não foi de todo perdido...
Capítulo por Guilherme
12:00 AM
CAPÍTULO 5
-Boa Tarde, Alê!
-Oi! Tudo bem?
-Médio... O Dean tá aqui em casa, falando com a minha mãe.
-Falando o quê com sua mãe?
-E eu sei lá! Eu tô no quarto, e ele na sala... E aí? novidades?
-Nada e você?
-Também não.
-Hum... Dormiu bem?
-Mais ou menos... Pensei muito antes de dormir, aí o sono fica meio mastigado...
-Pensou em quê?
-Ah, em várias coisas... Inclusive em você...
-Ah é? E o que pensou sobre mim?
-Ah, sei lá... Fiquei pensando no que você gostaria de falar, quando disse que queria falar comigo...
-Mas eu já falei ontem...
-Eu achei que você queria ter falado algo mais...
-Não, não... Era só aquilo mesmo...
-Hmm... Então você está bem?
O Alessandro apareceu numa das piores fases da minha vida. Sabe quando você não confia mais em ninguém, quando tudo parece estar perdido e você se sente único no mundo? Pois é, o Alessandro chegou na minha vida bem nessa hora. Eu pensava que estava entrando numa profunda depressão, quando na verdade era só frescura da minha cabeça mesmo. Aliás, foi ele que me mostrou que tudo era frescura da minha cabeça.
É meio estranho essa coisa de amizade. Numa dessas, eu já cheguei a me apaixonar por um amigo só porque gostava demais de estar na companhia dele. Hoje já não somos mais amigos, e garanto que eu estou bem melhor assim.
Mas não vou desviar o assunto. Estou falando do Alessandro. Ai, Alessandro... Alessandro, Alessandro, Alessandro... Ô delicia de amigo viu...
Quantas vezes me imaginei beijando aquela boca maravilhosa que ele tem. Quantas vezes ele ficou o dia todo na minha mente. Quantas fotos dele espalhadas pela tela do meu computador, e eu lá, olhando naqueles olhos, querendo acreditar que um dia algo ia acontecer entre a gente. E aconteceu. Hoje ele é um dos meus melhores amigos, se não o melhor amigo que uma pessoa pode ter. O desejo que eu tinha por ele? Ainda tenho, mas já não é aquela coisa doentia que me perturba. Já está sob meu controle. Não quero estragar minha amizade com ele, por isso o respeito.
-Te liguei a tarde toda...
-Eu estava trabalhando... O que você queria?
-Você não lembra do que a gente tinha combinado fazer hoje?
-Não.
-Não mesmo?
-Não, o que?
-Ué? A gente não ia sair hoje?
-Não, a gente ia semana passada, só que não deu, então você falou pra gente marcar um dia depois do carnaval...
-Não, eu falei pra gente ir no carnaval.
-Hmm... Não lembro...
-Vamos?
-Como assim, agora?
-É!
-Mas eu tô sem dinheiro agora...
-Ah, a gente saca num caixa eletrônico, vamos?
Foi aí que eu me levantei do ponto de ônibus, entrei no local onde trabalho, deixei minha mochila no meu armário e fui, com a roupa que eu estava no corpo e 30 reais na carteira, pra balada. Novamente um sinal de que minha vida ia mudar de novo...
Capítulo por Guilherme
10:23 PM
CAPÍTULO 4
-Dean?
-Fale...
-Olha... Sinceramente mesmo... Eu tentei gostar de você... Deus é testemunha do quanto eu tentei, mas não dá... Não consigo mais te enganar...
É, e assim chegou ao fim. O fim, numa terça - feira de fevereiro. Estava muito confuso. A única certeza que eu tinha naquela hora era que eu não queria mais ficar com o Dean. Precisava espairecer, esquecer essa pessoa que me fazia sentir nojo de mim mesmo.
-Alô?
-Alô, Fabiano? É o Guilherme...
-Grande coisa...
-Hehehe... Tudo bem?
-Tudo, e você?
-Tudo também. Tá sozinho aí?
-Tô.
-Tem jeito hoje?
-Tem, sobe aí...
Vaca. Como eu sou vaca. Terminei com um e, no mesmo dia, já de encontro marcado com outro. E confuso... "Confuso com o quê?", você deve estar se perguntando. Tinha um terceiro na minha cabeça, uma terceira pessoa que não saía da minha cabeça. Sim, nessa noite transei com o Fabiano pensando em outra pessoa, que não era o Dean. Quem era? Não me lembro, estava muito confuso...
O importante é que foi bom. De todas as vezes que transei com o Fabiano, essa foi a melhor. Senti que eu estava deixando tudo de ruim que a minha relação com o Dean trouxe de lado e que muita coisa nova e boa estava para acontecer. Bom, algumas nem tão boas, mas, com certeza, bem novas.
-Nossa, se o meu ex-namorado souber disso... Aí é que ele se mata de vez.
-E por que ele ficaria sabendo?
-Ah, sei lá... Só imaginei.
-O que os olhos não vêem, o coração não sente...
"O que os olhos não vêem, o coração não sente". Essa frase foi praticamente a chave que deu partida numa nova fase na minha vida. Uma fase bem melhor. Pelo menos para mim.
Voltei para minha casa e, na mesma noite, liguei para o Dean para saber se ele estava bem.
Capítulo por Guilherme
6:48 PM
CAPÍTULO 3
Até agora não consegui entender o final da minha relação com o Dean. Sabe quando duas pessoas tem tudo para dar certo? Pois é, a gente tinha. Só que eu acho que a gente conquistou isso rápido demais. E um detalhe importantíssimo: ele não me dava tesão. Eu não sentia tesão por ele!!! Nada, nada, nada mesmo!!!
Quem vê à primeira estância pensa que eu sou um depravado, um maníaco sexual. Mas não sou não. Eu explico: A partir do momento que você não se satisfaz sexualmente com alguém, a relação vai se tornando cansativa, quase que obrigatória. Era o que acontecia entre eu e ele. Só ele sentia tesão, só ele sentia prazer. E eu? O que sentia?
-Ô amor, eu sinto muito...
-Não se desculpe... Odeio gente que faz as coisas e se arrepende depois.
-Não queria fazer contra sua vontade...
-Antes não tivesse feito então.
-Puxa, mas foi tão especial pra mim...
-Pra mim seria mais especial se eu pegasse minha calça agora e encontrasse 50 reais no bolso.
-Ai amor, não fala assim...
-Pára de me chamar de amor! Eu tenho nome, caralho...
-Você tá bravo, Gui?
-Não, tô desapontado só... Esperava mais de você...
-Eu sinto muito...
-Pára de se lamentar!!!
Bom, acho que lembrei porquê terminei com ele. Definitivamente, homem cagonildo comigo não tem vez... Homem de verdade tem que fazer as coisas e não se arrepender depois. Mas tem que fazer direito também, pois homem que faz coisas de qualquer jeito e não se arrepende só tem um nome: Bosta!
Quer coisa pior que homem bosta? Aqueles que a gente chinga, briga, discute, mesmo sabendo que é a gente que tá errado, e o desgraçado chora e ainda corre atrás pra pedir desculpa. Sou mais seletivo, não fico com gente desse tipo (apesar de já ter ficado algumas vezes, mas foi só pra curtir). Ai, se arrependimento matasse...
-Que foi Gui?
-Nada...
-Fala pra mim, o que que tá acontecendo?
-Nada, Dean. Já falei...
-Nada... Pra mim, quem nada é peixe...
-...
-Eu te fiz alguma coisa, foi?
-Não.
-Não vai falar o que que tá te aborrecendo?
-Você quer saber mesmo o que que está me aborrecendo? Você está me aborrecendo! Eu estou aqui pensando em como resolver uns problemas que eu tenho e você fica aí, me enchendo o saco, perguntando o que é que eu tenho.
-Ih, lá vem você com esse papo de "encher o saco" de novo...
-Mas é a única coisa que você faz! Parece que sente prazer em fazer isso comigo... E parece que gosta quando eu meto a boca em você. Parece até mazoquismo...
-Sabe como se chama isso?
-...
-Você sabe?
-Não, Dean, eu não sei como se chama isso. Você quer que eu pergunte?
-Isso se chama amor...
-Eu chamo isso de idiotice...
-É... Já percebi a muito tempo que eu me tornei um idiota por amar você.
-Que bom que percebeu sozinho, né?
Capítulo por Guilherme
1:11 AM
CAPÍTULO 2
-Gui...
-Fale...
-Nada não... Só queria saber como é que a gente fica...
-A gente não fica, Dean!
-E tudo o que eu sinto por você, não valeu de nada?
-Dean, meu querido, enfia uma coisa na cabeça: Eu não amo você! O máximo que eu posso sentir por você é um carinho especial... Uma amizade...
-Amizade? Amizade? Então todas as vezes que você me disse "Eu te amo" eram mentira?
-Não, não eram mentira... Mas se eu te dizer "Eu te amo" hoje, vai ser...
-Então você chegou a me amar, e hoje já não me ama mais, é isso?
-É, Dean... Se assim fica mais fácil pra você compreender, é isso sim...
-E como voce consegue amar e desamar com tanta facilidade?
-Ai Dean... Não é uma coisa que se ensine... Você aprende sozinho... Agora me dá licença que eu tenho mais o que fazer...
Toda vez que eu me encontrava com o Dean era uma sensação desconfortável... Sei lá, nunca gostei de abraços apertados, beijos na nuca, lambidas no pescoço. E ele insistia nisso, por mais que eu pedisse para parar... E eu ia na casa dele quase toda noite e chegava lá suado, cansado, pedindo água literalmente. E enquanto eu me servia de água em frente da geladeira, lá vinha ele me abraçando por trás, beijando meu pescoço. Até o dia em que eu perdi a paciência e virei o copo de água gelada na cabeça dele. Nunca mais ele me abraçou por trás.
-Puxa, eu não sei o que fazer pra te agradar e você só pisa em mim...
-E por acaso eu tô pedindo pra voce fazer alguma coisa, Dean?
-Às vezes a gente percebe no olhar da pessoa o que ela quer...
-E olhando no meu olhar o que você agora???
-Hmmm... Que você quer uma massagem... Ou um beijinho?
-Não! Quero assistir o que tá passando na televisão e você fica me enchendo o saco!
-Enchendo o saco? Então eu tô aqui tentando te agradar e você diz que eu tô enchendo o saco?
-É, Dean... Se assim fica mais fácil pra você compreender, é isso sim...
-Eu não quero te encher mais o saco...
-Aleluia! Vai terminar comigo então?
-Não... Vou deixar pra você decidir isso... Você vai escolher se vai continuar aqui comigo ou não...
-Beleza então... Onde eu deixo a chave?
-Você tá falando sério?
-Ó, eu vou deixar aqui em cima da geladeira... Amanhã a gente se fala...
-Guilherme, espera...
-Tchau Dean...
-Guilherme... Guilherme, volta! GUILHERME!!!
E eu ia... Dava as costas e nem me importava em olhar pra trás. Ele chorava como uma criança...
Ah Dean... Dean, Dean, Dean... Eu nunca te amei, seu bobo...
Capítulo por Guilherme
4:42 PM
CAPITULO 1
-Nossa!
-Nossa digo eu!
-Uau! Que saudades que eu tava disso...
-Eu também... Eu também...
-Eu te amo...
-...
Era sempre assim... Toda vez que eu e ele nos encontrávamos secretamente em sua casa... Estava completamente apaixonado por ele, mas ele só sentia a maldita atração física por mim... Ficava puto no começo, mas depois comecei a aceitar bem isso. Melhor ter o sexo do que não ter nada.
Fabiano. Ele não é bonito. Também não é engraçado, nem gentil, muito menos baladeiro. Ele é na dele, e eu não sei o que fez para que eu me apaixonasse tanto por ele.
-Ó, fica em off isso, tá? Se alguém souber dos nossos encontros, a casa cai pro meu lado...
-Fica traquilo... Niguém vai saber... Prometo...
Pobre coitado... Metade das minhas amigas sabem dos nossos encontros. A outra metade sempre soube... Mulher que é amiga minha ele não cata mais. Aliás, nunca sequer catou mulher alguma mesmo...
Ah Fabiano... Fabiano, Fabiano, Fabiano... Você vai ficar na minha cabeça pra sempre, seu desgraçado!!!
Capítulo por Guilherme
4:40 PM
Carta do autor para o público:
Essa obra está sendo escrita em um momento muito especial da minha vida. Os nomes, lugares e passagens são fictícios, sendo qualquer semelhança com a realidade mera coincidência...
Esse livro eu estou escrevendo por haver muitas idéias presas na minha cabeça... Preciso colocar isso pra fora, e escolhi esse livro como forma de expor essas idéias... Muitas passagens aqui aconteceram comigo (e ainda acontecem), e sei que também acontecem com muita gente. Espero que você, que esteja acompanhando essa história, goste dela, e se identifique com pelo menos uma parte dela. O Guilherme do livro tem muito a ver com o Guilherme escritor. Por incrível que isso possa parecer, não somos a mesma pessoa. Ele é um personagem, e Eu dou as direções para ele seguir. Eu sou de carne e osso, e Ele é espírito. Um espírito que vive no inconciênte de cada um de vocês. Dedico esse livro para vocês.
Guilherme Henrique
Capítulo por Guilherme
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